
A aposta nos cartuchos do Nintendo 64 ainda o assombra
A Sony já havia lançado o PlayStation há mais de um ano quando o Nintendo 64 chegou à América do Norte em setembro de 1996. A Nintendo apareceu atrasada, mais cara para desenvolver e teimosamente apegada a cartuchos enquanto todo mundo havia migrado para CD-ROM. E ainda assim produziu alguns dos jogos mais influentes de todos os tempos. Essa contradição é toda a história da máquina.
Por que a Nintendo apostou em cartuchos quando o mundo virou óptico
O silício do N64 veio de uma parceria com a Silicon Graphics, cujas estações de trabalho estavam renderizando dinossauros para Jurassic Park na mesma época. Essa linhagem aparecia: 3D acelerado por hardware, filtragem de textura em tempo real, anti-aliasing que dava aos jogos do N64 seu visual característico suave e um pouco borrado. No papel, era genuinamente à frente do PlayStation.
Então veio a decisão pelo cartucho. A Nintendo manteve os cartuchos ROM por tempos de carregamento quase instantâneos e para evitar pirataria, mas a troca foi brutal. Os cartuchos alcançavam apenas uma fração da capacidade de um CD e custavam muito mais para fabricar. Essa é a razão pela qual a Squaresoft levou Final Fantasy VII para o PlayStation, levando todo o gênero JRPG junto. A Nintendo venceu a guerra das telas de carregamento e perdeu a guerra com terceiros.
O controle foi um ato de loucura por si só. Aquele design de três hastes que ninguém sabia ao certo como segurar, construído em torno de um stick analógico que, em 1996, parecia o futuro. O mecanismo do stick se desgastava com uso intenso, especialmente se você era daqueles que socavam o polegar em Mario Party, e sticks desgastados ainda são a falha mais comum que você verá por aí.
Três jogos que justificaram a máquina inteira
Uma biblioteca curta, mas densa. O N64 não tinha amplitude, tinha pesos-pesados que reescreveram o manual.
- Super Mario 64 (1996) – o título de lançamento que ensinou a indústria como um plataforma 3D deveria controlar. Aquele stick analógico fez sentido no momento em que você podia fazer o Mario andar na ponta dos pés ou correr.
- The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998) – o Z-targeting resolveu o problema do combate no espaço 3D, e metade dos jogos de ação e aventura da década seguinte copiou isso discretamente.
- GoldenEye 007 (1997) – a Rare transformou um jogo baseado em filme no modelo de FPS de console e, mais importante, na razão pela qual quatro pessoas se amontoavam no mesmo sofá gritando sobre o Oddjob.
Some Banjo-Kazooie, Mario Kart 64 e Perfect Dark e você tem o núcleo do porquê as pessoas ainda conectam esses consoles. O N64 era um console de sofá antes de tela dividida ser um ponto de nostalgia.
O argumento que nunca morre: tela dividida para quatro versus Expansion Pak
Enthusiasts ainda discutem sobre o que o N64 realmente foi. Foi a máquina multiplayer definida por quatro portas de controle integradas, ou uma curiosidade técnica limitada por suas próprias peculiaridades de hardware? As quatro portas foram um golpe de mestre; nenhum concorrente as igualou de fábrica. Mas a névoa, a distância de visão, as texturas lamacentas foram todas consequências do espaço minúsculo dos cartuchos e do cache limitado de textura, não de falta de potência bruta.
Então há o Expansion Pak, a pequena atualização de RAM que Donkey Kong 64 e o modo de alta resolução em Perfect Dark exigiam. Alguns colecionadores o tratam como parte essencial de um conjunto completo; outros veem nisso evidência de que a Nintendo lançou o console com especificações aquém do necessário. E não faça as pessoas começarem a falar do 64DD, o acessório de drive de disco exclusivo do Japão que fracassou tanto que agora é um item realmente cobiçado. Cada um desses debates volta à mesma raiz: ideias brilhantes lutando contra um teto de armazenamento.
Onde o N64 se situa no mercado de colecionadores hoje
Consoles soltos continuam sendo um dos hardwares retrô mais acessíveis que você pode comprar, em grande parte porque a Nintendo os vendeu aos milhões e o plástico é quase indestrutível. O dinheiro está nos detalhes:
- Consoles CIB embalados com isopor e manuais intactos comandam um prêmio real sobre unidades soltas, porque essas embalagens acabaram sendo descartadas na maioria das casas.
- Jogos first-party lacrados ou em estado de conservação perfeito – Conker's Bad Fur Day e os títulos de tiragem posterior e menor sobem mais.
- Periféricos excêntricos – Transfer Pak, o Rumble Pak e qualquer coisa relacionada ao 64DD alcançam preços que eclipsam o próprio console.
Cuidado com os controles. Um stick analógico firme e sem desgaste vale a pena pagar, e muitos vendedores descrevem gamepads "funcionais" que se mexem como macarrão cozido demais. Existem sticks de reposição de terceiros, mas os puristas querem a sensação original do gate ao estilo GameCube que o N64 nunca teve completamente.
Aqui vai minha opinião honesta: o N64 é o mais fascinante fracasso que não foi da história da Nintendo. Perdeu a geração comercialmente, afastou os desenvolvedores que construiriam a próxima era dos jogos e ainda assim produziu uma sequência de jogos que as pessoas felizmente pagam para rejogar 25 anos depois. Seria ele o objeto amado que é hoje se tivesse usado CDs e mantido a Squaresoft a bordo? Ou a escassez, as peculiaridades e a teimosia com cartuchos são exatamente o motivo pelo qual ainda nos importamos? Eu sei onde eu fico. E você?


