
Como o Wii U Transformou um Fracasso de Vendas em Ouro para Colecionadores
A Nintendo vendeu aproximadamente 13,5 milhões de consolas Wii U ao longo de toda a vida da máquina. A Wii antes dela ultrapassou os 100 milhões. Essa diferença – a queda mais dura na história das consolas domésticas da Nintendo – é exatamente por que a Wii U se tornou silenciosamente uma das plataformas Nintendo mais colecionáveis que ainda se pode montar sem hipotecar a casa.
A matemática é simples: uma base instalada pequena significou tiragens pequenas, e uma biblioteca reduzida torna realmente possível terminar uma coleção. Acrescente o encerramento da eShop para novas compras em 2023, e discos físicos tornaram-se a única via de acesso a uma parte significativa desse catálogo. O fracasso, por incrível que pareça, envelhece bem.
O flop já vinha no preparo – e as tiragens curtas também
Lançada em novembro de 2012 e descontinuada no início de 2017, a Wii U nunca se livrou do próprio nome. Muitos compradores realmente acreditavam que o GamePad era um acessório tipo tablet para a Wii já debaixo da sua televisão – a consola que haviam comprado empacotada com Mario Kart Wii. O marketing da Nintendo nunca desatou os dois, e as editoras terceiras abandonaram o navio em poucos anos.
Para colecionadores, esse desastre é um presente. As editoras imprimiram com cautela contra uma base instalada em declínio, por isso os lançamentos do fim de vida existem em números bem menores do que seus equivalentes do GameCube ou da Wii. Não há um armazém cheio de stock embalado da Wii U esperando para inundar o mercado – o que foi enviado é o que existe.
Os exclusivos que nunca migraram para a Switch
A Switch esgotou essa biblioteca: Mario Kart 8, Bayonetta 2, Donkey Kong Country: Tropical Freeze e Pikmin 3 foram todos portados e rapidamente venderam mais que os originais. O que ficou para trás é a parte interessante – jogos tão entrelaçados com o GamePad, ou tão silenciosamente abandonados, que nunca foram para lugar nenhum.
- The Legend of Zelda: The Wind Waker HD (2013) e Twilight Princess HD (2016) – dois dos melhores remasters que a Nintendo já fez, ainda encalhados na Wii U. Wind Waker HD tem a navegação mais rápida e a caça à Triforce reestruturada, o que a torna a versão definitiva desse jogo, ponto final.
- Star Fox Zero (2016) – co-desenvolvido com a PlatinumGames e construído inteiramente em torno de mira de ecrã duplo. Ame ou odeie, é estruturalmente inportável.
- Nintendo Land (2012) – o pack-in que explica toda a consola. Seu multijogador assimétrico só funciona com uma tela na mão de alguém.
- Kirby and the Rainbow Curse (2015) – Kirby em massinha dirigido por stylus, intitulado Kirby and the Rainbow Paintbrush nas regiões PAL. Vale lembrar quando estiver à caça de cópias em caixa entre regiões.
- Paper Mario: Color Splash (2016) – lançado enquanto a plataforma era empurrada para o necrotério, e nunca revivido em outro lugar.
Depois há o cemitério digital. Depois que a eShop deixou de aceitar compras, downloads dependentes do GamePad como o dinamarquês Affordable Space Adventures tornaram-se efetivamente inalcançáveis – sem disco, sem listagem, sem entrada. Todo título exclusivo da eShop para Wii U agora está selado dentro de consolas que já o têm instalado. Esse é o argumento mais forte a favor do meio físico deste lado do susto da loja do PS3.
O GamePad é a decisão de compra – todo o resto é negociável
A parte direta: uma Wii U sem o seu GamePad é uma máquina de peças, não um colecionável. A configuração inicial da consola o exige. Nintendo Land, Star Fox Zero e Super Mario Maker demandam um. E GamePads nunca foram vendidos separadamente no varejo ocidental – substituições passaram pelo canal de reparo da Nintendo, e boa sorte com isso hoje em dia.
Portanto, quando estiver a inspecionar uma consola, o GamePad (modelo WUP-010) é onde o negócio vive ou morre:
- Desgaste do ecrã. O ecrã de 6,2 polegadas, 854×480 é resistivo, não capacitivo – risca muito mais facilmente do que o ecrã de um telemóvel. Incline-o sob luz angular e procure valas de stylus, especialmente em unidades que rodaram Mario Maker ou Art Academy.
- Saúde da bateria. A célula de origem é modesta, de 1500 mAh, com apenas algumas horas quando nova, e uma com dez anos pode mal segurar carga. É substituível pelo utilizador atrás de um pequeno painel aparafusado, mas teste: um GamePad que só funciona encaixado é um sinal vermelho, e deve ser precificado como tal.
- Sincronização. Emparelhar um GamePad com uma consola significa combinar quatro símbolos de naipes (♠♥♦♣) mostrados na TV. Se um vendedor não puder demonstrar o GamePad sincronizado e a funcionar sem fios, presuma que não está.
Sticks e botões também importam – verifique por drift analógico – mas esses são problemas ordinários de comandos. O ecrã e a bateria são os específicos da Wii U.
Compre o flop antes que o respeito chegue
O roteiro escreve-se sozinho: assegure primeiro uma consola com um GamePad original em bom estado, depois construa a coleção a partir daí. Títulos da janela de lançamento como New Super Mario Bros. U são a forma acessível de começar; exclusivos de fim de vida e qualquer coisa dependente do GamePad são onde a escassez realmente morde. Consolas em caixa com os seus inserts intactos merecem uma atenção séria, porque aquela caixa sobredimensionada foi a primeira coisa que a maioria das casas deitou fora.
O GameCube passou uma década como piada antes dos colecionadores decidirem que era amado. A Wii U está a correr o mesmo arco em fast-forward, com uma biblioteca menor e menos cópias completas em caixa a sobreviver. A única questão real é se prefere caçar agora, enquanto os vendedores ainda escrevem "coisa antiga da Nintendo tipo tablet" no anúncio – ou mais tarde, quando eles já souberem o que é.


