Sega Master System

Por que o Sega Master System ainda recompensa colecionadores pacientes

Ligue um Master System antigo sem cartucho no slot, mantenha pressionado Cima e ambos os botões, e Snail Maze aparece – um joguinho completo que a Sega enfiou no BIOS do console. Isso é o Master System em um único gesto: generoso, um pouco estranho, e escondendo mais do que deixa transparecer. A maior parte do mundo nunca percebeu, porque a maior parte do mundo estava ocupada com o NES.

A maior parte do mundo, isto é, exceto Europa e Brasil. E é exatamente por isso que o Master System continua sendo uma das bibliotecas de 8 bits mais satisfatórias que você ainda pode caçar sem hipotecar nada.

A guerra dos consoles que a Europa assistiu do outro lado

A máquina nasceu no Japão como Sega Mark III em 1985, ganhou um redesign em preto e vermelho, e chegou à Europa em 1987, promovida fortemente pelo distribuidor Mastertronic. Enquanto a Nintendo dominava o Japão e a América do Norte, o Master System conquistou território real por toda a Europa – e no Brasil, a Tectoy manteve a plataforma viva por décadas depois que todo mundo havia seguido adiante.

Essa história molda a caça hoje. O PAL é o habitat natural do Master System, e os lançamentos tardios europeus provam isso: Asterix, Master of Darkness, e o genuinamente excelente 8-bit Sonic the Hedgehog existem porque o console continuou vendendo aqui muito depois de desaparecer em outros lugares. O vínculo da Sega com a Europa era profundo – uma década depois um estúdio britânico, Bizarre Creations, estava desenvolvendo Metropolis Street Racer para o Dreamcast.

A seguir está a presença nas prateleiras. As caixas ocidentais do Master System são organizadas como papel quadriculado – uma grade sóbria, um pequeno quadrado de arte, e uma faixa anunciando se você está segurando um Sega Card, um Mega Cartridge, ou um Two-Mega Cartridge. Alinhadas na prateleira, nada mais da época parece tão deliberado.

Model 1 ou Model 2 – deixe o slot de cartões decidir

O Model 1 original é a máquina dos colecionadores. Tem tanto um slot de cartucho quanto um slot de cartão, uma porta de expansão, e um botão de pause no próprio console – uma peculiaridade que todo dono de Master System lembra com o polegar. Unidades iniciais trazem Snail Maze no BIOS, e algumas foram vendidas com Hang-On embutido.

Esse slot de cartão importa mais do que parece também: os SegaScope 3-D glasses da Sega conectam-se por ele, então todo o catálogo 3-D é território exclusivo do Model 1.

O Master System II é a versão mais econômica. Sem slot de cartão, sem porta de expansão, uma carcaça arredondada, e Alex Kidd in Miracle World embutido – unidades europeias posteriores trocaram por Sonic. É uma forma adorável e barata de jogar, e metade da Europa cresceu exatamente com essa unidade, mas ela te bloqueia para cards e 3-D. Compre uma como jogador, não como peça central.

Sega Cards e outras belas esquisitices

Antes dos cartuchos ficarem baratos, a Sega vendia jogos em Sega Cards do tamanho de um cartão de crédito – lançamentos de baixa capacidade como Ghost House, F-16 Fighter, Spy vs Spy e My Hero. São o formato cult da plataforma: fáceis de ignorar numa gaveta de loja, fáceis de perder, e silenciosamente difíceis de encontrar completos com caixa e manual. Se você gosta de caçar o que passa despercebido, os cards são seu evento.

A biblioteca de cartuchos, por sua vez, tem bem mais personalidade do que sua reputação sugere:

  • Phantasy Star (1987) – um dos primeiros grandes RPGs de console, com calabouços em primeira pessoa animados que o NES não tinha como responder;
  • Wonder Boy III: The Dragon's Trap (Westone, 1989) – um early metroidvania tão bom que ganhou um remake moderno feito com carinho;
  • a versão de Master System de R-Type – uma conversão de 8 bits surpreendentemente capaz de um monstro de arcade;
  • Psycho Fox e Fantasy Zone – Sega pura, estranha e ensolarada.

Como é uma condição honesta depois de quatro décadas

Os jogos do Master System vinham em caixas clamshell de plástico, o que soa durável até você encontrar plástico de quarenta anos. Verifique as dobradiças primeiro – elas racham e perdem dentes muito antes de qualquer outra coisa falhar. Depois segure a caixa contra a luz: o desbotamento solar drena a arte e transforma aquelas grades brancas nítidas em um creme cansado, e uma lombada desbotada é óbvia do outro lado da sala assim que você sabe o que procurar.

Manuais desaparecem. Esses jogos foram jogados com força e emprestados por bairros inteiros, então uma caixa com manual genuinamente intacto tem um prêmio silencioso aqui. Nos consoles, espere carcaças amareladas – o plástico amberiza com exposição UV – e seja cético com unidades suspeitamente brancas, que podem ter passado por um retrobright agressivo. Teste o botão de pause num Model 1; ele fica no console, e já recebeu décadas de polegares.

Isto é o que torna a plataforma especial: nada disso exige bolsos fundos, apenas paciência. A biblioteca comum ainda aparece onde houver mercados de pulgas e feiras, então a questão não é aquisição – é condição. Qualquer um pode amontoar uma pilha de jogos do Master System. Construir uma prateleira de grades não desbotadas com dobradiças e manuais intactos leva anos, e custa principalmente atenção.

O NES ganha os documentários. O Master System ganha algo melhor: uma biblioteca que você ainda pode fazer justiça com olhos treinados em vez de ser rico. Então – Model 1 com o slot de cartões, ou o Alex Kidd embutido do II é a memória europeia mais verdadeira?